Porto Itapoá mira liderança na América do Sul e expande operações

Porto Itapoá planeja ampliar capacidade para 3,2 milhões de contêineres por ano até 2033

Imagem: Porto Itapoá

Terminal mira liderança na América do Sul até 2040 e aposta em expansão, tecnologia e melhorias nos acessos rodoviários e marítimos para ampliar a competitividade logística de Santa Catarina.

O Porto Itapoá, no litoral norte de Santa Catarina, planeja ampliar sua capacidade anual de movimentação de contêineres de 1,8 milhão para 3,2 milhões de TEUs até 2033. A expansão faz parte de uma estratégia para tornar o terminal o maior, mais eficiente e mais seguro da América do Sul até 2040.

Quinze anos após receber seu primeiro navio, o empreendimento ocupa a terceira posição no ranking brasileiro de movimentação de contêineres e gera mais de 2 mil empregos diretos. Desde o início das operações, os investimentos acumulados chegam a cerca de R$ 3 bilhões.

A empresa discute agora uma quinta fase de expansão, que deverá ampliar a estrutura operacional e preparar o terminal para atender a volumes maiores de cargas. A estratégia também envolve investimentos em automação, equipamentos, operações remotas e inteligência operacional.

Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten, com 35 anos de experiência em logística e infraestrutura portuária, aponta a capacidade de expansão, a eficiência operacional e a melhoria dos acessos como fatores importantes para o crescimento do empreendimento.

Dragagem da Baía da Babitonga pode ampliar capacidade logística

Um dos projetos considerados estratégicos é o aprofundamento do canal de acesso da Baía da Babitonga para 16 metros. A iniciativa envolve uma parceria público-privada entre o Porto Itapoá e o Governo de Santa Catarina e busca permitir a operação de navios de maior porte.

De acordo com a estimativa apresentada por Arten, cada metro adicional de profundidade pode permitir que uma embarcação de 366 metros transporte entre 800 e mil contêineres a mais. Com o aprofundamento previsto de dois metros, o potencial estimado é de aproximadamente 130 mil contêineres adicionais por mês, ou cerca de 1,5 milhão por ano.

A melhoria das condições de navegação poderá aumentar a competitividade do terminal na atração de grandes embarcações e ampliar as possibilidades de participação nas rotas internacionais.

Outra perspectiva é fortalecer o Porto Itapoá como hub port, modelo em que grandes navios concentram cargas e parte dos volumes é redistribuída para outros destinos em embarcações menores.

Rodovias e ferrovia estão entre as prioridades

A ampliação das operações depende também de melhorias na infraestrutura de transporte da região. Entre as prioridades estão as obras de duplicação das rodovias SC-416 e SC-417, que conectam o porto à BR-101.

O terminal mantém articulações com o governo estadual para viabilizar os investimentos. Além de facilitar o transporte de cargas, as intervenções podem trazer benefícios para a mobilidade, o turismo e o desenvolvimento econômico regional.

A implantação de uma ligação ferroviária também integra o planejamento logístico defendido pelo empreendimento. O ramal está previsto no Plano Estadual de Logística e Transporte (PELT) e poderá ampliar as alternativas para o escoamento da produção.

A conexão por trilhos ajudaria a diversificar os meios de transporte, reduzir a dependência das rodovias e aumentar a eficiência no deslocamento de mercadorias.

Eficiência atrai cargas de diferentes regiões do país

A estratégia do Porto Itapoá não se limita às mercadorias produzidas em Santa Catarina. O terminal também recebe cargas provenientes do Centro-Oeste, como celulose, algodão e proteína bovina.

Segundo Arten, parte da proteína bovina que antes era direcionada principalmente ao Porto de Santos passou a utilizar Itapoá, mesmo com um percurso rodoviário mais longo. A escolha, conforme o executivo, está relacionada à disponibilidade operacional, à infraestrutura e à previsibilidade dos serviços.

O terminal também atende às cadeias exportadoras de carne suína e de frango, com investimentos para ampliar a movimentação de contêineres refrigerados. Nas importações, recebe matérias-primas e componentes industriais, incluindo cobre, produtos químicos e peças automotivas.

Essa variedade de operações reforça a integração do porto com diferentes cadeias produtivas e amplia sua participação no comércio exterior brasileiro.

Expansão pode fortalecer a economia catarinense

Para o CEO, a atração de novos investimentos industriais depende de fatores como incentivos competitivos, mão de obra qualificada e eficiência logística. A infraestrutura de transporte influencia os custos, a previsibilidade e a confiabilidade das operações das empresas.

O Porto Itapoá também destaca sua trajetória de dez anos consecutivos de liderança em satisfação dos clientes no setor portuário brasileiro, segundo o indicador NPS (Net Promoter Score), utilizado para avaliar a disposição dos clientes em recomendar uma empresa ou serviço.

Com a expansão da capacidade, a modernização dos equipamentos e as melhorias previstas nos acessos terrestres e marítimos, o terminal busca ampliar sua participação no mercado internacional e fortalecer a posição de Santa Catarina nas cadeias globais de comércio.

O avanço dos projetos, no entanto, depende da viabilização dos investimentos e das melhorias de infraestrutura necessárias para acompanhar o crescimento das operações.

Fonte: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).