Dois homens foram condenados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Itapoá por um homicídio ocorrido em dezembro de 2024.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a vítima teria sido apontada pelos acusados como responsável pelo furto de uma bicicleta e acabou sendo morta após ser julgada e punida pelo chamado “tribunal do crime”, uma prática usada por grupos ligados ao tráfico de drogas para impor suas próprias regras e punições.
O julgamento começou na quarta-feira (8) e foi concluído na quinta-feira (9). Um dos réus recebeu pena de 21 anos de prisão, enquanto o outro foi condenado a 18 anos e oito meses, ambos em regime fechado.

O júri reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além das penas de prisão, cada um dos condenados deverá pagar uma indenização de R$7,5 mil aos familiares da vítima, como compensação por danos morais.
Crime foi cometido com extrema violência
O crime ocorreu na noite de 13 de dezembro de 2024, no bairro Itapema do Norte. Segundo a denúncia, a vítima teria furtado uma bicicleta pertencente a um familiar de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. O objeto, posteriormente, teria sido trocado por entorpecentes.
Em represália, os acusados decidiram aplicar um “salve”, termo usado por organizações criminosas para se referir a castigos aplicados dentro do grupo. A vítima foi espancada com socos, chutes e golpes de pedaço de pau, sofrendo múltiplas fraturas que levaram à morte.
Durante a sessão do júri, a representante do Ministério Público destacou que o crime demonstrou total desprezo pela vida humana, sendo marcado pela violência e pela imposição de regras típicas do crime organizado.
Ela acrescentou que a agressão foi praticada por um grupo de quatro a cinco pessoas contra uma vítima sozinha e desarmada, surpreendida em sua própria residência, o que impediu qualquer tentativa de defesa.
Réus permanecerão presos
Embora ainda caiba recurso da decisão, o Tribunal determinou a execução imediata da pena, e os condenados não poderão recorrer em liberdade.
O caso reforça o trabalho conjunto entre a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Ministério Público, que vêm atuando de forma integrada na responsabilização de crimes graves e no enfrentamento à violência ligada a atividades criminosasno Litoral Norte catarinense.
