Quem passa pela orla de Itapoá já consegue perceber que a paisagem está mudando. A faixa de areia ficou visivelmente mais larga em alguns pontos, especialmente na região da Praia do Farol, onde parte do espaço já pode ser utilizada com segurança. O avanço faz parte do maior projeto de alargamento de praia já realizado no Brasil, em execução no município.
Segundo dados da empresa Jan de Nul, responsável pela obra, os trabalhos atingiram 58,5% de execução. O trecho próximo ao Porto Itapoá foi liberado após avaliação técnica e, neste momento, apresenta condições adequadas para a circulação de banhistas.
Por que ainda não dá para acessar toda a praia?
Apesar do avanço visível, a maior parte da orla continua interditada. A orientação é clara: evitar áreas em obras. Máquinas pesadas, tubulações e movimentação constante de equipamentos ainda fazem parte da rotina do canteiro.

Outro ponto importante é o solo. A areia utilizada no alargamento vem do fundo do mar e ainda possui alto nível de umidade. Isso pode gerar bolsões internos e deixar o terreno instável, com risco de afundamento, mesmo em locais onde aparentemente não há atividade.
Por esse motivo, a liberação completa da orla ainda não tem data definida. A reabertura só ocorrerá após a retirada total dos equipamentos e o processo natural de secagem da areia, com comunicação oficial à população quando houver liberação técnica.
Uma obra que muda o litoral da cidade
O projeto prevê o alargamento de aproximadamente oito quilômetros da orla de Itapoá, utilizando cerca de 6,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos, retirados por dragagem. Esse volume representa cerca de metade do total previsto para a obra.
Os trabalhos começaram em outubro de 2025 e, conforme o cronograma, devem ser concluídos no segundo semestre de 2026. O investimento chega a R$ 333 milhões, incluindo execução e fiscalização.
O alargamento da praia está ligado à dragagem de aprofundamento da Baía da Babitonga, conduzida pelo Porto de São Francisco do Sul. Desse valor, R$ 300 milhões são custeados pelo Porto Itapoá, como antecipação de tarifas portuárias, enquanto o restante fica sob responsabilidade do Porto de São Francisco do Sul.
Além de ampliar a faixa de areia, a obra é considerada estratégica para a proteção costeira, o turismo e a economia local. Até lá, o pedido às pessoas que vivem e visitam Itapoá é simples: aproveitar apenas os trechos liberados e respeitar as áreas sinalizadas.
