Novo porto em Itapoá deve movimentar grãos, fertilizantes e gás e promete impacto direto na economia

O projeto do novo porto previsto para Itapoá começa a ganhar contornos mais definidos e já aponta para uma estrutura ampla, voltada ao escoamento de diferentes tipos de carga. A proposta é que o terminal funcione no modelo de multicargas, com capacidade estimada de movimentar cerca de 9,3 milhões de toneladas por ano.

A estrutura será implantada por meio de um Terminal de Uso Privado (TUP) — modelo em que a operação é feita por uma empresa ou cooperativa, com autorização do governo federal, mas sem ser um porto público tradicional. No caso de Itapoá, o projeto está ligado à cooperativa Coamo.

A previsão é que as obras comecem em 2027, com início das operações a partir de 2030.

Estrutura vai além da soja e amplia o perfil logístico da cidade

Embora o foco inicial seja o escoamento de grãos, como soja e farelo, o projeto já nasce com uma proposta mais ampla. A ideia é integrar diferentes operações dentro de um mesmo complexo portuário.

Entre as frentes previstas estão:

  • movimentação de fertilizantes, em possível parceria com uma empresa do setor;
  • estrutura voltada ao GLP, conhecido como gás de cozinha;
  • além de estudos para operação com combustíveis líquidos.

Na prática, isso significa que o porto não será especializado em um único tipo de carga, mas sim preparado para atender diferentes demandas logísticas, o que aumenta sua relevância estratégica.

Porto Coamo – Foto: Divulgação

Parcerias podem fortalecer o projeto

Um dos avanços recentes envolve a aproximação com empresas do setor de fertilizantes, com o objetivo de estudar parcerias para operação conjunta dentro do porto.

Esse tipo de acordo ainda não é definitivo, mas indica um movimento para ampliar o alcance do empreendimento e garantir maior eficiência na cadeia logística, especialmente no agronegócio.

Como será a estrutura do porto

O projeto prevê três berços de atracação — áreas onde os navios ficam estacionados para carga e descarga. Isso permitirá a operação simultânea de até três embarcações, reduzindo filas e aumentando a produtividade.

Além disso, o complexo deve contar com quatro áreas principais de operação:

  • grãos e derivados vegetais;
  • fertilizantes;
  • líquidos combustíveis;
  • gás (GLP).

Parte dessas estruturas poderá ser utilizada por empresas parceiras, o que também contribui para a geração de receitas e viabilidade do projeto.

Impacto econômico esperado para Itapoá

A expectativa é que o novo porto gere impacto direto na economia local, tanto na criação de empregos quanto na arrecadação de impostos.

Projeções iniciais indicam que, até 2035, o empreendimento pode gerar cerca de R$ 39 milhões por ano em receitas diretas para o município, por meio de tributos como ISS e IPTU.

Além disso, o projeto surge como alternativa para reduzir gargalos logísticos enfrentados atualmente em outros portos da região, especialmente no Paraná, onde filas e atrasos têm impactado o escoamento da produção agrícola.

Um projeto que reposiciona Itapoá no mapa logístico

Com a proposta de integrar diferentes tipos de carga e aproveitar a localização estratégica do litoral norte catarinense, o novo porto tende a consolidar Itapoá como um dos principais polos logísticos da região nos próximos anos.

Se confirmado dentro do cronograma, o empreendimento pode representar uma mudança significativa no perfil econômico da cidade, que passa a ganhar ainda mais protagonismo no cenário portuário do Sul do país.