Uma baleia-jubarte de aproximadamente 13 metros de comprimento e 30 toneladas foi encontrada morta na Praia do Ervino, em São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina. O animal, uma fêmea adulta, apresentava uma corda de nylon presa à nadadeira caudal, o que levantou suspeitas de interação com petrechos de pesca.

A carcaça foi localizada por moradores na quinta-feira (28) e mobilizou equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, coordenado pela Univille. Quando os pesquisadores chegaram ao local, o animal já estava em avançado estado de decomposição.
Durante a análise realizada na faixa de areia, os técnicos coletaram amostras biológicas de pele, gordura, órgãos, parasitas e do osso úmero. Parte desse material será destinada ao Acervo Biológico Iperoba, mantido pela Univille e utilizado em pesquisas científicas.
Segundo os especialistas, a baleia apresentava sinais compatíveis com o longo período de decomposição, incluindo desprendimento de pele, inchaço e forte odor. Após a conclusão dos trabalhos, a carcaça foi enterrada com apoio das secretarias municipais de Obras e Meio Ambiente de São Francisco do Sul.
Terceiro registro no trecho monitorado
De acordo com a equipe responsável pelo monitoramento, este é o terceiro caso de encalhe de baleia-jubarte sem vida registrado na área acompanhada pelo projeto, que abrange os municípios de Araquari, Balneário Barra do Sul, São Francisco do Sul e Itapoá.
O caso chama atenção porque ocorre justamente durante o período de passagem das baleias pela costa catarinense. Todos os anos, esses animais migram das águas frias da Antártida em direção ao litoral brasileiro para reprodução e cuidado dos filhotes.
Outros casos recentes em Santa Catarina
O registro em São Francisco do Sul se soma a outras ocorrências envolvendo grandes mamíferos marinhos no estado nas últimas semanas.
Na região de Jaguaruna, no Sul de Santa Catarina, duas baleias foram encontradas mortas em dias consecutivos: uma baleia-de-Bryde e uma baleia-jubarte. Outro caso semelhante também foi registrado recentemente na Praia da Guarda do Embaú, em Palhoça.
Embora as causas da morte ainda dependam de análises mais aprofundadas, especialistas alertam que colisões com embarcações, emalhamento em redes e outros tipos de interação com atividades humanas estão entre os fatores que frequentemente aparecem em investigações desse tipo.
A ocorrência reforça a importância do monitoramento ambiental ao longo do litoral catarinense, especialmente durante a temporada de migração das baleias.
