Um levantamento da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) apontou que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos podem gerar impactos bilionários na economia catarinense. Caso a medida se mantenha por um período de um a dois anos, a projeção é de uma queda de R$ 1,2 bilhão no PIB do estado, com a perda estimada de 20 mil empregos e de R$ 171,9 milhões em arrecadação de ICMS.
A projeção leva em conta um cenário de queda de 30% nas exportações catarinenses para o mercado norte-americano, que está entre os principais destinos dos produtos do estado.

Por que o tarifaço afeta SC?
Com o aumento das tarifas, os produtos catarinenses chegam mais caros ao mercado americano. Um item que antes custava US$ 100 pode passar a valer US$ 150, o que reduz a competitividade e abre espaço para concorrentes de países da Ásia e da América Latina. Nesse cenário, importadores tendem a buscar alternativas, o que pode diminuir as vendas das indústrias de Santa Catarina.

Buscar novos mercados, como América Latina, Oriente Médio, União Europeia e Ásia, é uma possibilidade, mas não uma solução imediata. Cada região tem suas próprias regras de importação, exigências sanitárias e custos de transporte, o que atrasa a adaptação das indústrias catarinenses.
Regiões mais impactadas
Segundo a Fiesc, a Serra Catarinense deve ser a região mais impactada pelas tarifas, já que sua economia é fortemente voltada à produção madeireira para os Estados Unidos.
O economista-chefe da federação, Pablo Bittencourt, destacou que a menor diversificação industrial aumenta a vulnerabilidade da região e estimou que, mesmo em um cenário considerado otimista, o PIB local pode recuar cerca de 0,53%.
A retração econômica pode agravar a estagnação da região e intensificar a migração de moradores para o litoral, um movimento que já vem sendo observado nas últimas décadas.
Na sequência, a região Norte aparece como a segunda mais impactada, com previsão de queda de 0,30% no PIB. Apesar de concentrar polos industriais diversificados, como Joinville e Jaraguá do Sul, ainda abriga setores fortemente dependentes do mercado americano.
Na sequência, a região Oeste aparece com retração prevista de 0,25%, seguida pelo Vale do Itajaí (-0,22%) e pelo Sul(-0,17%). Já a Grande Florianópolis não deve sentir queda imediata no PIB no período de um a dois anos, mas, em uma perspectiva de longo prazo, pode registrar retração de até 0,99%, especialmente em setores de comércio e serviçosafetados de forma indireta pela desaceleração industrial.
