Setembro é o mês em que todo o país se une para falar sobre a prevenção ao suicídio e a importância do cuidado com a saúde mental. Mas, em Itapoá, esse debate ganha um rosto e uma rotina no trabalho diário do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS 1), localizado no município.
Para compreender melhor essa realidade, conversamos com Alessandra Silveira, coordenadora do CAPS de Itapoá, que abriu as portas da unidade para mostrar como funciona o atendimento e quais são os principais desafios enfrentados no dia a dia.
Cada paciente tem um caminho único
Alessandra destacou que não existe um modelo único de tratamento no CAPS. Segundo ela, o serviço se molda à necessidade de cada paciente. Na arte-terapia, por exemplo, alguns se expressam pintando, outros fazendo crochê, cuidando da horta ou simplesmente permanecendo em silêncio quando precisam de espaço.
Atualmente, os pacientes do CAPS têm acesso a diferentes formas de cuidado, que vão desde a arte-terapia, auriculoterapia e horta-terapia até grupos específicos, como o de mulheres com crochê e os encontros para adolescentes e crianças. Entre as iniciativas mais recentes está o grafite.
Já em parceria com uma estudante de Psicologia da Univille, o projeto “Ouvidores de Vozes” busca acolher pessoas que convivem com a experiência de escutar vozes não percebidas pelos demais, ajudando-as a lidar com essa realidade de forma saudável.
Atendimento próximo, mas ainda limitado
Por ser um CAPS 1, a estrutura é destinada a atendimentos de menor porte. Os pacientes realizam, em média, uma ou duas terapias por semana, no período da manhã ou da tarde. Alessandra explica:
“Eles não podem permanecer o dia todo, porque não temos infraestrutura de cozinha ou de internação. Se alguém chega em surto, o encaminhamento é feito para a UPA. Lá ele é estabilizado e, se necessário, segue para avaliação psiquiátrica.”
Ainda assim, o volume de atendimentos chama atenção. Entre janeiro e agosto, foram registrados 2.983 pacientes vinculados, com média mensal de 250 a 300 acompanhamentos ativos.
A força da equipe e o papel da família
Apesar das limitações, Alessandra destaca a dedicação da equipe, formada por psicóloga, médicos, terapeuta ocupacional, educadora física, enfermeiros, técnicos, recepcionistas e auxiliares.

“O cuidado aqui é humanizado. A equipe trabalha com empatia, e a base familiar é fundamental. Quando a família reconhece a condição do paciente, o tratamento ganha força.”
O futuro: um novo CAPS em Itapoá
Uma das grandes expectativas do serviço é a construção de uma nova sede, com mais de 500 metros quadrados, planejada para ampliar e qualificar o atendimento à comunidade.
O projeto está orçado em cerca de R$2,5 milhões e depende de pactuação federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que financia obras públicas em todo o país. Caso não seja contemplado, a Prefeitura já avalia a possibilidade de realizar a obra com recursos próprios.
Setembro Amarelo em Itapoá
Mais do que números, o CAPS traduz a realidade da saúde mental no município: pessoas em sofrimento, famílias em busca de apoio e profissionais comprometidos em oferecer cuidado. Em meio ao Setembro Amarelo, Alessandra deixa uma mensagem:
“Cada vida importa. O acolhimento, o diálogo e a empatia são os primeiros passos para salvar alguém. Aqui, tratamos cada paciente como único, com suas dores e suas possibilidades.”
