Dragagem da Baía Babitonga vai aprofundar canal portuário e destinar sedimentos para o alargamento de 8 km de orla em Itapoá
A Baía Babitonga vai receber a maior obra de engordamento de praias do Brasil em extensão. A ordem de serviçofoi assinada nesta última terça-feira (23), no Porto de São Francisco do Sul, dando início a um projeto inédito que prevê a retirada de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de sedimentos do canal de acesso ao Complexo Portuário da Babitonga, equivalente a cerca de 1.700 campos de futebol cobertos por um metro de areia.
O trabalho vai aprofundar o canal de acesso, passando de 14 para 16 metros de profundidade, o que vai permitir a entrada de navios de maior porte e aumentar a competitividade do sistema portuário de Santa Catarina.

Durante o ato de assinatura, o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins, ressaltou o impacto econômico e estratégico da obra. Segundo ele, as companhias marítimas estão modernizando suas frotas com navios de maior porte, e a adequação do Complexo Portuário da Babitonga garante que Santa Catarina acompanhe essa evolução, mantendo-se alinhada ao futuro da navegação.
Investimento histórico e parceria inédita
A obra será executada pela empresa belga Jan De Nul, vencedora da licitação, com investimento total de R$ 324 milhões. O projeto foi viabilizado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Porto Público de São Francisco do Sul e o Porto Itapoá, que investirá R$ 300 milhões e será ressarcido até 2037, conforme o crescimento da movimentação portuária após a conclusão da dragagem.
Tecnologia de ponta e destino sustentável
O serviço será realizado pela draga Galileo Galilei, embarcação de 166 metros de comprimento e capacidade para 18 mil metros cúbicos de material. O equipamento, conhecido por ter sido utilizado no alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú, opera com um sistema de sucção que retira sedimentos do fundo do mar e os transporta até o local de destinação.

Metade dos sedimentos, cerca de 6 milhões de metros cúbicos de areia, será utilizada para o engordamento de 8 quilômetros de praias em Itapoá, abrangendo os trechos de Figueira do Pontal, Pontal do Norte e Balneário Princesa do Mar. Essa será a primeira vez no Brasil e a segunda no mundo que uma dragagem portuária destina o material retirado ao alargamento de praias, reforçando o caráter sustentável e inovador da obra.
Previsão e benefícios
As obras devem começar até o final de 2025 e têm conclusão prevista para o segundo semestre de 2026. O Porto de São Francisco do Sul busca atender às exigências ambientais para tentar antecipar o cronograma.
O projeto promete fortalecer a economia da região, aumentar a segurança da navegação e gerar reflexos positivos para o turismo e o meio ambiente costeiro.
