Em pouco mais de um mês da temporada de verão 2026, o Litoral Norte de Santa Catarina contabilizou 152 salvamentos no mar. Os dados foram divulgados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) e apontam ainda o registro de três mortes em ocorrências marítimas no período.
O levantamento considera atendimentos realizados entre 15 de dezembro de 2025 e 18 de janeiro de 2026. De acordo com a corporação, a maior parte das situações mais graves ocorreu fora de áreas monitoradas por guarda-vidas, o que reforça o alerta para os riscos em trechos não guarnecidos.

Ocorrências por município
Em São Francisco do Sul, foram registrados 43 salvamentos, incluindo seis casos de afogamento com recuperação. O município confirmou um óbito, ocorrido em local sem cobertura de guarda-vidas.
Já em Barra Velha, os bombeiros atenderam 60 ocorrências de salvamento, com um afogamento com recuperação. Não houve registro de mortes no mar.
Em Itapoá, foram contabilizados 32 salvamentos, sendo sete afogamentos com recuperação e dois óbitos, ambos em áreas não guarnecidas.
No município de Balneário Barra do Sul, o CBMSC realizou 17 salvamentos, com um afogamento com recuperação e nenhuma morte registrada.
Casos recentes evidenciam os riscos
Episódios ocorridos nos últimos dias ajudam a dimensionar a gravidade do cenário. No dia 13 de janeiro, um homem morreu após ser arrastado por uma corrente de retorno na praia do Pontal do Norte, em Itapoá, enquanto estava no mar com duas crianças. Elas conseguiram sair da água com a ajuda heroica do homem, que, segundo a família, praticamente se sacrificou para salvá-las. O adulto, no entanto, submergiu rapidamente e teve o óbito confirmado ainda na faixa de areia, apesar das tentativas de reanimação.

Segundo os bombeiros, o trecho estava interditado para banho, em razão das obras de alargamento da faixa de areia. O posto de guarda-vidas mais próximo encontrava-se desativado, e o posto em funcionamento operava a cerca de 850 metros do local.
Outro caso que gerou comoção ocorreu em São Francisco do Sul, no dia 12 de janeiro, quando o pescador Valmoci Bento, de 58 anos, morreu após o naufrágio de uma embarcação em alto-mar. Ele estava pescando com o filho, que sobreviveu após passar a noite à deriva, agarrado a uma porta de geladeira, sendo resgatado no dia seguinte. As buscas pelo pai mobilizaram equipes terrestres, embarcações e apoio aéreo.
Informações preliminares indicam que os pescadores podem ter sido surpreendidos por um fenômeno meteorológico extremo, possivelmente uma microexplosão, registrada na região no mesmo dia do acidente.
Perfil das vítimas e alerta à população
Em nível estadual, o CBMSC aponta que homens jovens continuam sendo o principal perfil das vítimas envolvidas em salvamentos e mortes no mar. Os casos, segundo a corporação, estão frequentemente associados à superestimação da capacidade de nado e ao desrespeito às sinalizações de risco.
Os bombeiros reforçam a orientação para que banhistas e navegantes evitem áreas interditadas, respeitem as bandeiras de sinalização, observem atentamente as condições do mar e redobrem os cuidados, especialmente em períodos de instabilidade climática.
