A construção da Ponte de Guaratuba avança para uma das etapas mais simbólicas e tecnicamente desafiadoras do projeto: a união dos dois lados do trecho estaiado, que está sendo executado sobre o principal canal de navegação da baía.

Esse segmento da obra é considerado o mais complexo de toda a estrutura. Com cerca de 320 metros de comprimento, ele foi projetado para vencer o maior vão da ponte, com 160 metros livres, garantindo a passagem segura de embarcações sob um gabarito de 19 metros de altura e aproximadamente 90 metros de largura.
Para viabilizar esse avanço, a engenharia adotou o método dos balanços sucessivos, técnica comum em grandes obras de pontes. Nesse sistema, o tabuleiro é construído aos poucos a partir dos pilares centrais, avançando ao mesmo tempo para os dois lados. A estrutura cresce por meio de aduelas, que são blocos de concreto moldados no próprio local e encaixados um a um, permitindo que a ponte avance de forma equilibrada e segura durante toda a execução.
Essas aduelas são sustentadas por estais, cabos de aço de alta resistência, ancorados nos mastros da ponte. O conjunto é responsável por suportar o peso do tabuleiro e assegurar estabilidade durante toda a execução do trecho suspenso.
Avanço físico da estrutura
Até o fim de 2025, a evolução do trecho estaiado já era significativa. Em cada um dos dois apoios centrais foram concluídos dez pares de aduelas típicas, além das aduelas iniciais de disparo. No total, cerca de 250 metros do segmento já estavam executados, aproximando a obra da fase final desse vão.
Quando totalmente concluído, o trecho contará com 55 aduelas típicas, além das duas aduelas de disparo e das aduelas de fechamento, responsáveis por promover a ligação definitiva entre os dois lados da estrutura.
O momento do fechamento
O chamado “encontro da ponte” ocorre quando os balanços que avançam a partir dos apoios 04 e 05 chegam ao centro da baía e são conectados pela última aduela. Esse procedimento exige extrema precisão técnica, com medições milimétricas de alinhamento e nível, ajustes na protensão dos estais e monitoramento estrutural contínuo.

Somente após todas essas verificações é que a aduela de fechamento é concretada. A partir desse ponto, o trecho estaiado deixa de funcionar como duas estruturas independentes e passa a atuar como um único conjunto contínuo, exatamente como previsto no projeto.
A previsão é de que essa etapa seja realizada ao longo do mês de fevereiro, marcando um avanço decisivo na obra.
Do ponto de vista técnico, o fechamento do trecho estaiado representa a superação do maior vão da ponte. Já sob o aspecto simbólico, esse momento consolida a ligação física entre Guaratuba e Matinhos sobre a baía, um marco histórico para a mobilidade e a infraestrutura do litoral paranaense.
