Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão desenvolvendo uma tecnologia que promete melhorar a prevenção de enchentes e alagamentos em cidades litorâneas. O sistema, chamado RISCO, integra dados de chuva, maré e previsões meteorológicas para antecipar áreas com maior probabilidade de inundação.
O projeto é conduzido pelo Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb) e tem como foco principal ampliar a capacidade de resposta a eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes nos últimos anos.

Monitoramento mais preciso no litoral
Em regiões como o litoral do Paraná e norte de Santa Catarina, o comportamento das marés é um fator decisivo para o agravamento dos alagamentos. Historicamente, os maiores episódios ocorrem quando chuvas intensas coincidem com maré alta, dificultando o escoamento da água.
Ao cruzar essas informações em tempo real, o sistema consegue indicar com maior precisão quais ruas e bairros podem ser atingidos, permitindo que gestores públicos ajam antes mesmo do nível da água subir.
Na prática, sensores instalados em campo fazem a medição contínua do nível da água, alimentando uma base integrada com dados meteorológicos. Segundo os pesquisadores, isso permite não apenas acompanhar a situação em andamento, mas também prever cenários de risco com antecedência.
Simulações em 3D e uso de LiDAR
Um dos diferenciais do projeto é a criação de simulações tridimensionais das áreas vulneráveis. Utilizando levantamentos topográficos detalhados e tecnologia LiDAR, o sistema consegue reproduzir o relevo urbano com alto grau de fidelidade.
Essa visualização facilita a compreensão do impacto das enchentes e ajuda no planejamento urbano, além de contribuir para ações preventivas mais eficazes por parte da Defesa Civil.
Alertas antecipados e interesse nacional
Além do mapeamento, o RISCO prevê o envio de alertas geolocalizados para moradores de áreas críticas. A primeira fase já passou por validação técnica e despertou interesse de órgãos federais, que avaliam a possibilidade de ampliar o uso da ferramenta em outras regiões do país.
Se implementado em larga escala, o sistema pode se tornar uma importante política pública de prevenção a desastres, especialmente em cidades costeiras que convivem com enchentes recorrentes.
