O Porto de São Francisco do Sul conquistou reconhecimento internacional por um projeto que une desenvolvimento portuário e recuperação ambiental no litoral norte catarinense. A iniciativa, que utiliza sedimentos retirados da dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga para o alargamento das praias de Itapoá, ficou em primeiro lugar na categoria “Iniciativas Verdes em Portos” do Prêmio Marítimo das Américas 2026, promovido pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

O anúncio da premiação destaca uma ação considerada inédita no país. Além de aprofundar o canal utilizado pelos terminais portuários da região, o projeto reaproveita parte da areia retirada durante a dragagem para recuperar a faixa de areia das praias de Itapoá, reduzindo impactos da erosão costeira.
A obra prevê a remoção de aproximadamente 12,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos, permitindo a navegação de embarcações maiores até os terminais da Babitonga. Cerca de metade desse material está sendo utilizada na recomposição da orla itapoaense, em um trabalho considerado o maior projeto de alargamento de praias já realizado no Brasil.
Os trabalhos começaram em outubro do ano passado e seguem em execução, com conclusão prevista para o segundo semestre deste ano. Segundo o Porto de São Francisco do Sul, esta é a primeira vez que um porto público brasileiro conquista o primeiro lugar na premiação internacional.
Benefícios além da navegação
De acordo com os organizadores do prêmio, o reconhecimento levou em consideração os resultados ambientais, sociais e econômicos da iniciativa.
Além de evitar o descarte dos sedimentos dragados, o projeto exigiu uma série de estudos ambientais para garantir a compatibilidade do material com a faixa de areia da praia. A distribuição da areia também contou com modelagem técnica especializada para assegurar a estabilidade da nova orla.
Outro destaque foi o trabalho de recuperação das dunas, que inclui o plantio de milhares de mudas de vegetação nativa com o objetivo de fortalecer a proteção natural da costa contra os efeitos da erosão.
Impacto para Itapoá
O alargamento contempla cerca de 8,8 quilômetros da faixa de praia de Itapoá e é apontado como uma das maiores intervenções de recuperação costeira já realizadas em Santa Catarina.
Além de ampliar a proteção da orla, a obra busca preservar áreas urbanas próximas ao mar e fortalecer a atividade turística do município, ao mesmo tempo em que melhora as condições de acesso marítimo aos terminais portuários da Baía da Babitonga.
A entrega oficial da premiação ocorrerá na próxima segunda-feira, em Bridgetown, capital de Barbados.
