A Operação Mensageiro, considerada uma das maiores ofensivas contra corrupção já realizadas em Santa Catarina, voltou a ganhar força nos últimos meses com novas condenações, denúncias e avanços judiciais envolvendo agentes públicos e empresários investigados em diferentes regiões do estado.
Dados divulgados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) mostram que, entre abril de 2025 e abril de 2026, a operação teve um crescimento significativo no número de processos e decisões judiciais relacionadas aos supostos esquemas de fraudes em contratos públicos.
Segundo o levantamento, somente nesse período foram apresentadas 22 novas denúncias criminais envolvendo 53 investigados. Entre eles estão ex-prefeitos, ex-vice-prefeitos, servidores públicos e empresários apontados como integrantes do núcleo empresarial investigado pelas autoridades.
As investigações envolvem suspeitas de crimes ligados a licitações, contratos públicos e pagamento de vantagens indevidas em municípios catarinenses.
Condenações somam centenas de anos de prisão
Além das novas denúncias, a operação também avançou na fase judicial. Ao longo do último ano, sete novas condenações foram registradas, incluindo decisões do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e sentenças em primeira instância.
Somadas, as penas aplicadas ultrapassam 895 anos de prisão, segundo o Ministério Público.
Entre os condenados aparecem agentes políticos e ex-gestores municipais. O MPSC também destacou que três condenações se tornaram definitivas após o encerramento das possibilidades de recurso.
Mais de 50 processos seguem em andamento
Mesmo após mais de três anos desde o início das investigações, a operação ainda possui dezenas de ações em tramitação na Justiça catarinense.
Atualmente, são 53 ações penais em andamento. Parte delas já teve julgamento concluído, enquanto outras seguem em fase de instrução ou aguardam sentença.
O Ministério Público afirma que os resultados refletem o avanço das investigações e o fortalecimento das medidas de responsabilização criminal envolvendo supostos desvios de recursos públicos.
Investigação começou em 2022
A Operação Mensageiro foi deflagrada em dezembro de 2022 e teve origem em investigações anteriores relacionadas a contratos públicos em municípios catarinenses.
As apurações concentram suspeitas envolvendo setores como coleta de lixo, iluminação pública e abastecimento de água, além da atuação de empresas ligadas a contratos com prefeituras.
O trabalho é conduzido pelo Ministério Público de Santa Catarina, com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC).
Ao longo das fases da operação, houve cumprimento de mandados de busca e apreensão, prisões preventivas e afastamentos de agentes públicos investigados.
