Novo relatório da NOAA aumenta para 81% a probabilidade de um “Super El Niño” e reforça alerta para impactos no clima em diversas regiões, incluindo o Sul do Brasil
As chances de o planeta enfrentar um Super El Niño aumentaram novamente. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgou uma atualização das projeções indicando que o fenômeno climático pode atingir intensidade histórica ainda em 2026 e alcançar seu pico antes do previsto inicialmente.

Segundo o novo boletim, a probabilidade de o aquecimento das águas do Oceano Pacífico alcançar a categoria considerada “super” subiu para 81%, consolidando a expectativa de que este seja um dos episódios mais intensos desde o início dos registros modernos.
Pico deve ocorrer ainda neste ano
As projeções mais recentes indicam que o maior aquecimento das águas do Pacífico poderá ocorrer entre outubro e dezembro, antecipando a previsão anterior, que apontava novembro e janeiro como período mais provável para o auge do fenômeno.
Mesmo após atingir o pico, a expectativa dos meteorologistas é que o El Niño continue influenciando o clima ao longo de 2027, embora de forma gradual.
O que isso significa para Santa Catarina?
Especialistas alertam que a presença de um Super El Niño aumenta a probabilidade de períodos com chuva acima da média no Sul do Brasil, especialmente durante a primavera e o verão.
No entanto, os pesquisadores destacam que o fenômeno, isoladamente, não determina a ocorrência de grandes desastres naturais. Eventos extremos dependem da combinação entre diversos fatores atmosféricos e meteorológicos.
O histórico recente reforça esse cenário. Em 2024, por exemplo, enchentes severas atingiram o Rio Grande do Sul em um contexto de El Niño associado a outras condições climáticas favoráveis à formação de chuvas intensas.
Fenômeno é considerado raro
Embora o termo “Super El Niño” seja amplamente utilizado, não existe uma classificação oficial para essa categoria. A expressão costuma ser aplicada quando o aquecimento da superfície do Oceano Pacífico supera 2°C acima da média, índice registrado em poucos episódios nas últimas décadas.
Desde 1950, apenas cinco eventos alcançaram esse nível de intensidade, segundo dados internacionais utilizados pelos centros de monitoramento climático.
Diferença entre El Niño e La Niña
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse processo altera a circulação atmosférica e influencia o regime de chuvas em diversas partes do planeta.
No Sul do Brasil, a tendência é de aumento das precipitações. Já a La Niña, fenômeno oposto, é caracterizada pelo resfriamento dessas águas e costuma favorecer períodos mais secos na região.
Meteorologistas ressaltam que, embora as previsões indiquem alta probabilidade de um evento muito intenso, o acompanhamento continuará sendo feito mês a mês, já que a intensidade e os impactos podem sofrer ajustes conforme a evolução das condições oceânicas.
