Após concluir 8,8 km de nova faixa de areia, Itapoá avalia intervenção em outro trecho da orla

Estudos deverão abranger cerca de nove quilômetros entre Cambijú, Itapema do Norte e Centro. Antes de qualquer nova obra, município precisará avaliar erosão, correntes marítimas, disponibilidade de areia e impactos ambientais.

A transformação da orla de Itapoá pode não terminar nos 8,8 quilômetros de praias que acabaram de receber o alargamento da faixa de areia. A Prefeitura prepara estudos para avaliar o que pode ser feito em outro trecho de aproximadamente nove quilômetros da costa, desta vez passando por regiões mais centrais do município.

O planejamento compreende a área entre a Rua Peabiru (1710) e a Rua Castro Alves (492), abrangendo trechos de Itapoá Centro, Itapema do Norte e Cambijú. 

Mas há uma diferença importante em relação à obra recém-concluída: não existe, neste momento, uma segunda engorda de praia contratada.

O que o município pretende contratar são estudos ambientais e projetos de engenharia. Eles deverão apontar quais problemas existem ao longo desses nove quilômetros, quais soluções seriam tecnicamente possíveis e se um novo alargamento é ambientalmente viável. Somente depois dessa etapa uma eventual obra poderá avançar. 

Estudo vai olhar até o que acontece debaixo d’água

A análise não deverá se limitar à quantidade de areia existente diante das casas.

Entre os pontos previstos estão o comportamento das correntes marítimas, a movimentação natural dos sedimentos e a identificação de jazidas com areia compatível para uma eventual alimentação artificial da praia.

Também deverão ser avaliados os possíveis efeitos sobre a fauna marinha, a vegetação de restinga e a comunidade pesqueira.

O processo exige a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental e do respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), instrumentos utilizados para avaliar as consequências de empreendimentos com potencial de provocar alterações ambientais relevantes. 

Trecho reúne situações diferentes de erosão

Outra particularidade é que os nove quilômetros não apresentam uma condição uniforme.

O levantamento deverá alcançar desde praias que ainda mantêm condições consideradas preservadas até locais onde a erosão levou moradores a recorrer a estruturas de proteção, como enrocamentos, gabiões e paliçadas

A intenção, portanto, é analisar o comportamento da costa como um conjunto, em vez de estudar isoladamente apenas os pontos onde o avanço do mar já é mais evidente.

Essa avaliação deverá indicar se a alimentação artificial com areia é adequada para toda a extensão ou se diferentes trechos exigem soluções distintas.

R$ 6,8 milhões são buscados para financiar estudos e projetos

Para colocar essa etapa técnica em andamento, o município solicitou R$ 6,8 milhões em financiamento por meio do Banco do Brasil.

A liberação ainda depende da análise do Tesouro Nacional. Segundo as informações divulgadas, o edital para contratação dos estudos já está estruturado e a expectativa é realizar a licitação ainda em 2026. 

Depois da contratação, a elaboração dos levantamentos deverá levar aproximadamente um ano.

Isso significa que, mesmo que os estudos apontem a viabilidade de um novo alargamento, ainda haverá um caminho técnico, ambiental e administrativo antes de máquinas voltarem a depositar areia na orla.

Primeira intervenção acaba de mudar 8,8 km da costa

A discussão sobre uma possível nova etapa surge logo após Itapoá concluir o maior projeto de alargamento de praias em extensão já realizado no Brasil.

Foram 8,8 quilômetros de intervenção nas praias Pontal do Norte, Princesa do Mar e Figueira do Pontal. A última etapa foi encerrada em agosto. 

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Foto: Divulgação

Nesse primeiro projeto, parte da areia retirada durante a dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga foi reaproveitada na recomposição da costa. Dos 12 milhões de metros cúbicos de sedimentos previstos na dragagem, aproximadamente metade foi destinada à alimentação das praias. 

Uma eventual nova intervenção, entretanto, não pode ser tratada como simples continuação automática dessa obra. Será justamente o novo conjunto de estudos que deverá determinar de onde poderia vir a areia, quais intervenções seriam necessárias e quais impactos poderiam ocorrer.

Próximo passo ainda acontece no papel

Para quem observa a dimensão alcançada pela recém-concluída faixa de areia, a possibilidade de outros nove quilômetros chama atenção. Mas o estágio dos dois projetos é completamente diferente.

Em Pontal do Norte, Princesa do Mar e Figueira do Pontal, a areia já está depositada e a nova configuração da costa é uma realidade.

Entre a Rua Peabiru e a Rua Castro Alves, por enquanto, o projeto está na fase de planejamento dos estudos que dirão o que poderá ou não ser feito.

O resultado dessas análises será decisivo para saber se a transformação física vista recentemente em uma parte de Itapoá poderá, no futuro, avançar para outros quilômetros da orla.