Investigação sobre possível influência de facção na política de Itapoá avança com nova busca do GAECO

Novo mandado foi cumprido no município durante desdobramento da Operação Catilina. Apuração investiga suspeitas de aproximação entre integrantes do crime organizado, agentes políticos e empreendimentos privados.

Quase um mês depois de uma operação colocar sob investigação uma possível tentativa do crime organizado de interferir no cenário político de Itapoá, o GAECO voltou ao município para cumprir uma nova ordem judicial.

A diligência ocorreu na tarde de segunda-feira (24) e representa um novo capítulo da Operação Catilina, investigação que tenta identificar até onde teriam chegado as relações entre integrantes de uma organização criminosa e pessoas ligadas ao ambiente político local.

Desta vez, foi cumprido um mandado de busca e apreensão autorizado pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a medida busca novos elementos para aprofundar uma investigação que permanece sob sigilo.

Um dos objetivos da ação também era alcançar um investigado que, conforme os elementos obtidos até agora, estaria adotando medidas para dificultar sua localização pelas autoridades.

Foto: Divulgação/MPSC
Foto: Divulgação/MPSC

Investigação começou com oito buscas em Itapoá

A Operação Catilina veio a público em 29 de julho, quando oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a três investigados. Naquela primeira etapa, todas as diligências ocorreram em Itapoá.

O ponto de partida foram informações encaminhadas à 1ª Promotoria de Justiça do município. O caso passou posteriormente à atuação da 39ª Promotoria de Justiça da Capital, unidade especializada em investigações envolvendo organizações criminosas em Santa Catarina.

O que está sendo apurado vai além de uma eventual proximidade entre criminosos e figuras da política.

A hipótese investigativa é de que uma organização criminosa teria buscado aumentar sua influência territorial em Itapoá também por meio do processo político, apoiando determinados candidatos e estabelecendo relações capazes de favorecer seus interesses.

Benefícios, pressão sobre moradores e apoio político estão sob apuração

Uma das linhas mais sensíveis da investigação está no que teria ocorrido dentro de comunidades consideradas áreas de influência do grupo.

Segundo o MPSC, existem indícios de distribuição de benefícios e auxílios com a finalidade de conquistar apoio político.

Em contrapartida, moradores teriam sido pressionados a manifestar apoio a candidatos determinados. A investigação reúne ainda relatos de intimidações, ameaças e ações contra pessoas consideradas opositoras.

São suspeitas que ainda precisam ser comprovadas durante a investigação. Como o procedimento tramita em sigilo, o Ministério Público não tornou públicos os nomes dos candidatos, agentes políticos ou demais investigados relacionados aos fatos.

Elo entre política, empresas e integrantes da organização é investigado

Outra frente procura esclarecer possíveis conexões entre agentes políticos, empreendimentos privados e integrantes da organização criminosa.

A suspeita do Ministério Público é de que essas relações poderiam formar uma estrutura voltada ao atendimento dos interesses do grupo investigado.

A nova busca realizada em Itapoá ganha importância justamente nesse estágio da apuração. O material apreendido será analisado e poderá revelar novos vínculos, indicar outros envolvidos ou levar a novas diligências.

Até o momento, porém, o MPSC não detalhou publicamente o que foi encontrado durante o cumprimento do mandado desta segunda-feira.

O que ainda não se sabe

Apesar da gravidade das hipóteses investigadas, uma parte significativa do caso continua protegida pelo sigilo judicial.

Não foram divulgados oficialmente os nomes dos agentes políticos que eventualmente aparecem na investigação, quais candidatos teriam recebido o suposto apoio, quais empreendimentos privados são investigados ou quem foi alvo da nova busca.

Também não há, nas informações públicas divulgadas pelo Ministério Público, conclusão de que as suspeitas já estejam comprovadas.

A Operação Catilina permanece em andamento. Os materiais recolhidos nesta nova etapa serão analisados pelo GAECO e poderão orientar os próximos passos da investigação.

O ponto central que as autoridades tentam esclarecer agora é até onde teria avançado a possível influência da organização criminosa sobre a política de Itapoá e quem teria participado dessa estrutura.

Fonte: Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).