Baleias ameaçadas de extinção reaparecem no litoral paranaense após uma década

Registro de uma fêmea acompanhada de um filhote na Baía de Guaratuba reanima pesquisas sobre a presença da espécie na região e reforça a importância da conservação marinha.

Uma descoberta considerada rara por pesquisadores chamou a atenção no litoral do Paraná. Duas baleias-de-Bryde (Balaenoptera brydei), espécie pouco conhecida na costa brasileira e classificada como ameaçada em parte de sua distribuição, foram avistadas na Baía de Guaratuba após cerca de dez anos sem registros confirmados na região.

O flagrante foi realizado entre os dias 18 e 19 de julho por pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), durante um sobrevoo de monitoramento. Entre os animais observados estava uma fêmea acompanhada de um filhote, ocorrência considerada incomum no litoral paranaense.

A baleia-de-Bryde vive em mares tropicais e subtropicais e pode alcançar aproximadamente 15 metros de comprimento. Apesar de já ter sido registrada anteriormente no Paraná, ainda existem poucas informações sobre seus hábitos, rotas migratórias e frequência de ocorrência na costa do estado.

Segundo os pesquisadores, o novo registro contribui para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha do litoral paranaense e pode ajudar na definição de estratégias de conservação da espécie.

Além das baleias, a equipe identificou mais de 60 animais marinhos durante os voos de monitoramento, entre golfinhos, tartarugas, tubarões e raias, demonstrando a riqueza da fauna que utiliza a Baía de Guaratuba e áreas próximas.

Os especialistas avaliam que a redução da circulação de grandes embarcações na baía, após o encerramento da operação do ferry-boat entre Guaratuba e Matinhos, pode ter favorecido o aumento dos avistamentos de animais marinhos. No entanto, ressaltam que essa hipótese ainda depende de estudos científicos para ser confirmada.

Os novos registros reforçam a importância do monitoramento contínuo da vida marinha na região, contribuindo para a proteção dos ecossistemas costeiros e para a compreensão do comportamento das espécies que utilizam o litoral do Paraná.