Empresas acionam a Justiça para cobrar cerca de R$ 30 milhões devidos por obras da Ponte de Guaratuba

Fornecedores relatam atraso nos pagamentos e apontam dificuldades financeiras; consórcio atribui situação a discussões sobre reequilíbrio contratual

Mesmo após a inauguração da Ponte de Guaratuba, a obra continua repercutindo fora do canteiro. Empresas que prestaram serviços durante a construção recorreram à Justiça para cobrar aproximadamente R$ 30 milhões que, segundo elas, deixaram de ser pagos pelo Consórcio Nova Ponte.

Ponte de Guaratuba, no Litoral do Paraná. (DER-PR)
Ponte de Guaratuba, no Litoral do Paraná. (DER-PR)

Os valores reivindicados envolvem fornecedores e prestadores de serviços de diferentes portes que atuaram na execução do empreendimento. Conforme relatos apresentados pelas empresas, os atrasos começaram a ser registrados nos últimos meses da obra e afetaram o fluxo de caixa de diversos negócios ligados ao projeto.

Um dos casos envolve uma empresa que afirma ter cerca de R$ 700 mil a receber por serviços executados entre fevereiro e junho deste ano. De acordo com a defesa da empresa, a falta de pagamento comprometeu a capacidade financeira da prestadora e trouxe dificuldades para honrar compromissos com funcionários, fornecedores e tributos.

Consórcio reconhece dificuldades

Em manifestação sobre o assunto, o Consórcio Nova Ponte informou que não nega a existência do impasse. Segundo a empresa, durante a execução da obra surgiram condições geotécnicas não previstas inicialmente, o que levou à solicitação de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.

Ainda conforme o consórcio, esse cenário teria provocado um descompasso temporário entre o andamento da obra e o cronograma de desembolsos. A empresa afirma que mantém diálogo com os órgãos responsáveis para regularizar os pagamentos o mais rapidamente possível.

Tribunal de Contas acompanha contrato

A situação ocorre em meio ao acompanhamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), que recentemente apontou possíveis irregularidades relacionadas aos primeiros termos aditivos da obra e recomendou a retenção de pagamentos considerados acima dos valores devidos até que as análises sejam concluídas.

Entre os pontos avaliados pelo Tribunal estão critérios utilizados para pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro, alterações contratuais e serviços incluídos durante a execução do empreendimento.

O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), responsável pela fiscalização da obra, contesta os apontamentos do Tribunal e sustenta que os custos adicionais decorreram de situações identificadas durante a construção da ponte.

Enquanto as discussões administrativas e judiciais seguem em andamento, empresas fornecedoras aguardam a definição sobre os pagamentos que afirmam ter direito a receber.