Baía da Babitonga se consolida como corredor portuário e concentra sete projetos entre operações e novos terminais

Região que conecta Itapoá e São Francisco do Sul já reúne três estruturas portuárias em atividade e outras quatro em diferentes fases de implantação. Expansão aumenta a importância dos acessos e da infraestrutura da baía.

A movimentação portuária na Baía da Babitonga caminha para uma nova escala. O complexo, compartilhado por Itapoá e São Francisco do Sul, reúne atualmente três operações portuárias em funcionamento e outros quatro projetos que pretendem se instalar na região.

O avanço mais recente ocorreu em São Francisco do Sul, onde o terminal da Bunge recebeu da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) o termo de liberação de operação. A autorização foi concedida em 13 de agosto, depois da verificação da conclusão das obras e da conformidade das instalações.

Com a nova estrutura, a Babitonga amplia uma configuração que já inclui dois terminais consolidados: o Porto de São Francisco do Sul, público, e o Porto Itapoá, privado e especializado na movimentação de contêineres.

O crescimento, porém, não deve parar nesses três empreendimentos.

Quatro projetos estão no radar da região

Outros quatro terminais aparecem em diferentes etapas para implantação no entorno da baía: Porto Brasil Sul, Porto Coamo, Terminal Mar Azul e Terminal Graneleiro da Babitonga.

Entre eles, o projeto da Coamo está em estágio mais avançado. A cooperativa pretende instalar em Itapoá um terminal voltado principalmente à exportação de grãos.

O empreendimento terá capacidade projetada para movimentar 10,9 milhões de toneladas por ano e também deverá operar com importação de fertilizantes e movimentação de combustíveis líquidos e GLP.

A previsão apresentada é de início das obras em 2027.

A chegada de novos empreendimentos evidencia uma característica que vem atraindo investimentos para a Babitonga: as condições naturais para navegação associadas à infraestrutura portuária já instalada.

Itapoá já movimenta 1,5 milhão de contêineres por ano

Do lado itapoaense da baía, o Porto Itapoá iniciou suas atividades em 2011 e hoje possui capacidade para movimentar cerca de 1,8 milhão de TEUs por ano. O TEU é a medida internacional equivalente a um contêiner de 20 pés.

Porto Itapoá
Imagem: Porto Itapoá

Em 2025, o terminal movimentou aproximadamente 1,5 milhão de TEUs, resultado que o colocou como o terceiro maior do Brasil em movimentação de contêineres.

A estrutura possui dois berços de atracação, que juntos somam cerca de 800 metros de cais. A profundidade natural informada é de 16 metros junto à estrutura, condição que permite receber embarcações de grande porte.

A expectativa é ampliar a capacidade anual para aproximadamente 2 milhões de TEUs, acompanhando as obras de expansão em andamento.

Dragagem prepara baía para navios maiores

O aumento do número de terminais acontece paralelamente a uma transformação importante no acesso marítimo à região.

O canal da Baía da Babitonga possui aproximadamente 17 quilômetros de extensão e largura mínima de 120 metros. Uma obra de dragagem está aprofundando o canal de 14 para 16 metros.

A intervenção permitirá a entrada de navios com até 366 metros de comprimento, ampliando a capacidade do complexo para receber embarcações de maior porte.

Essa infraestrutura será compartilhada por operações instaladas nos dois municípios e ganha ainda mais importância diante dos novos terminais planejados.

São Francisco do Sul mantém força nas cargas a granel

Enquanto Itapoá concentra sua operação nos contêineres, o Porto de São Francisco do Sul tem forte participação na movimentação de cargas a granel.

Imagem: Divulgação Porto São Francisco do Sul
Imagem: Divulgação Porto São Francisco do Sul

Somente em junho de 2026, o porto movimentou 526,5 mil toneladas de soja, além de 299,9 mil toneladas de produtos siderúrgicos, 112,2 mil toneladas de fertilizantes e adubos e 42,7 mil toneladas de produtos químicos inorgânicos.

Em 2025, o terminal alcançou 17,5 milhões de toneladas movimentadas, estabelecendo recorde pelo terceiro ano consecutivo. Mais da metade desse volume correspondeu às exportações.

O cenário mostra que o crescimento portuário da Babitonga ocorre em frentes diferentes: contêineres em Itapoá, granéis e outras cargas em São Francisco do Sul e novos projetos que pretendem ampliar ainda mais essa diversidade.

Com sete empreendimentos entre terminais em funcionamento e projetos de implantação, a discussão sobre o futuro da baía passa também pela capacidade de acompanhar esse crescimento com canal de navegação, acessos terrestres e infraestrutura suficiente para o aumento previsto na circulação de cargas.