Justiça suspende repasses previstos em acordo entre Prefeitura de Itapoá e Porto Itapoá após ação do Ministério Público

Decisão determina que parcelas restantes sejam depositadas em juízo enquanto a Justiça analisa questionamentos sobre acordo firmado entre o Município e o terminal portuário

A Justiça de Santa Catarina concedeu uma decisão liminar suspendendo os pagamentos ainda pendentes de um acordo firmado entre a Prefeitura de Itapoá e o Porto Itapoá. A medida atende a um pedido apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que questiona a legalidade e a fundamentação técnica dos valores definidos no acordo.

Porto Itapoá
Imagem: Porto Itapoá

Pela decisão, as 21 parcelas restantes não deverão mais ser pagas diretamente ao terminal portuário. Em vez disso, os recursos deverão ser depositados em conta judicial até que o mérito da ação seja analisado. Cada parcela é de aproximadamente R$ 6,5 milhões.

Na ação civil pública, o Ministério Público pede a revisão parcial do acordo, incluindo a devolução de valores já pagos, a restituição de quantias que considera recebidas em excesso e a recomposição de montantes que, segundo o órgão, podem ultrapassar R$ 20 milhões.

Entenda o caso

O acordo foi firmado em 2023 para encerrar uma disputa envolvendo a restituição de valores relacionados ao Imposto Sobre Serviços (ISS). No entanto, após a abertura de um inquérito civil e a realização de auditorias, o MPSC passou a questionar os critérios utilizados para calcular os valores negociados.

Segundo o Ministério Público, a análise de documentos fiscais, depósitos judiciais, extratos bancários e outros registros apontou divergências entre os valores previstos no acordo e aqueles identificados durante a investigação.

De acordo com a ação, os depósitos judiciais existentes durante o processo seriam suficientes para atender às obrigações discutidas na ação, o que, na avaliação do órgão, dispensaria novos pagamentos pelo Município.

Origem da disputa

A controvérsia teve início após uma alteração promovida pela Prefeitura de Itapoá, em 2017, na alíquota do ISS incidente sobre determinados serviços portuários. O tema foi judicializado e, posteriormente, um acordo foi firmado entre as partes para encerrar a discussão.

Agora, o Ministério Público sustenta que há necessidade de aprofundar a análise judicial para verificar se os critérios adotados no acordo possuem respaldo técnico e documental e se houve preservação do interesse público.

Porto Itapoá contesta os questionamentos

Em manifestação incluída no processo, o Porto Itapoá afirma que sempre atuou em conformidade com a legislação e que o acordo celebrado com o Município foi firmado de forma legítima, observando decisão judicial já homologada e com trânsito em julgado.

O terminal também informou que permanece à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar os esclarecimentos necessários e reiterou que confia na análise técnica dos fatos durante o andamento do processo.