Caso investigado em Itapoá leva autoridades à suspeita de rede internacional de exploração de mulheres

Informações divulgadas no Paraguai apontam que 14 mulheres teriam sido localizadas no município. Investigação busca esclarecer como as vítimas eram recrutadas e trazidas ao litoral brasileiro.

O caso de exploração sexual descoberto em Itapoá deixou de ser apenas uma ocorrência policial registrada no Litoral Norte catarinense e passou a integrar uma investigação com ramificações no Paraguai. Autoridades dos dois países apuram a possível existência de uma rede responsável por recrutar mulheres paraguaias e trazê-las ao Brasil.

Novas informações divulgadas a partir da investigação paraguaia apontam que 14 mulheres daquele país teriam sido localizadas em Itapoá. A suspeita é de que elas tenham chegado ao litoral brasileiro após receber propostas de trabalho e, posteriormente, fossem submetidas à exploração sexual. 

A maior parte seria originária do departamento de Alto Paraná, uma divisão administrativa equivalente a um estado brasileiro, cuja capital é Ciudad del Este. Segundo informações divulgadas sobre a apuração no país vizinho, uma jovem de 22 anos conseguiu entrar em contato com as autoridades, o que desencadeou a intervenção policial.

Operação em Itapoá já havia resultado em prisão

A nova dimensão atribuída ao caso surge poucos dias depois de uma operação realizada em Itapoá pela Polícia Federal, pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Santa Catarina (FICCO/SC) e pela Polícia Militar.

Em comunicado oficial, a PF informou que a ação ocorreu na quinta-feira, 6 de agosto, após a Polícia Nacional do Paraguai encaminhar alertas às autoridades brasileiras sobre cidadãs paraguaias desaparecidas e possivelmente submetidas à prostituição em Santa Catarina. 

Naquela operação, os investigadores localizaram uma das mulheres procuradas. Conforme a Polícia Federal, ela estava impedida de deixar o local por vontade própria e foi encaminhada à rede de assistência social do município. 

Uma mulher apontada pela investigação como responsável pelo estabelecimento foi presa em flagrante. Um telefone celular também foi apreendido e deverá ser submetido à perícia.

A PF informou ainda ter identificado indícios de que as mulheres eram transferidas frequentemente de endereço, o que, segundo a investigação, teria a finalidade de dificultar ações de fiscalização. 

Investigação tenta reconstruir caminho das mulheres até o Brasil

Com as informações que passaram a ser apuradas no Paraguai, uma das questões centrais agora é entender como funcionava o recrutamento antes da chegada das mulheres a Santa Catarina.

Relatos divulgados pela imprensa paraguaia indicam que elas teriam recebido propostas de emprego no litoral brasileiro. As autoridades paraguaias investigam a existência de uma estrutura de recrutamento naquele país e mantêm contato com os órgãos brasileiros responsáveis pela apuração. 

Essa frente é importante para determinar quem teria participado do deslocamento das mulheres, se outras pessoas integravam o esquema e se existem mais vítimas.

Número de vítimas ainda exige cautela

Embora as informações provenientes da investigação no Paraguai mencionem 14 mulheres encontradas em Itapoá, o comunicado oficial divulgado anteriormente pela Polícia Federal brasileira detalha a localização de uma vítima durante a operação do dia 6.

Por isso, o número de 14 deve ser atribuído às informações divulgadas a partir da apuração paraguaia, enquanto as autoridades brasileiras prosseguem com as investigações.

A Polícia Federal não divulgou a identidade da mulher presa nem o endereço do imóvel relacionado ao caso. A apuração continua para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão da estrutura investigada. 

Fonte: Polícia Federal e informações da investigação conduzida por autoridades paraguaias.