Polícia investiga fraude milionária que teria usado empresa de Curitiba e falsos prêmios; Itapoá entrou na rota da operação

Investigação aponta que dinheiro de uma construtora teria sido transferido para contas ligadas a um ex-prestador de serviços. Suspeito também é investigado por rifas virtuais que simulavam ganhadores.

Uma movimentação financeira inicialmente apresentada como necessária para o pagamento de despesas de uma empresa acabou no centro de uma investigação que estima um prejuízo de aproximadamente R$ 7 milhões. O caso levou a Polícia Civil do Paraná a uma operação de alcance nacional, com diligências também em Itapoá.

Imagem: Fraude Itapoá
Imagem: Ilustrativa

Ao todo, 24 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na terça-feira (18). A ofensiva policial chegou a 17 cidades de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais, além do Distrito Federal.

A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Paraná e começou a partir de suspeitas envolvendo uma construtora sediada em Curitiba.

Dinheiro teria saído da empresa para conta ligada a ex-prestador

Segundo a apuração policial, o principal investigado havia sido contratado em 2022 para atuar como consultor financeiro e administrativo da construtora. Na época, recebia R$ 7 mil mensais.

A relação profissional terminou ainda naquele ano. Foi posteriormente, no entanto, que a empresa teria identificado movimentações financeiras que deram origem às suspeitas.

Conforme a investigação, aproximadamente R$ 7 milhões teriam sido retirados das contas da construtora sem justificativa contratual ou respaldo contábil. Os valores teriam sido enviados para uma conta pessoal vinculada ao antigo prestador de serviços.

A Polícia Civil tenta agora rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar qual teria sido a destinação final dos recursos.

Rifas virtuais também entraram na investigação

O inquérito avançou para além das contas da construtora.

A polícia afirma ter encontrado indícios de que recursos supostamente desviados teriam sido utilizados para organizar rifas e sorteios pela internet.

Nesse ponto, os investigadores suspeitam de uma estratégia para transmitir aos participantes a impressão de que os prêmios eram efetivamente entregues.

De acordo com a apuração, o homem teria alegado ter sido contemplado em pelo menos 20 sorteios de veículos, criando uma aparente legitimidade patrimonial para as premiações anunciadas.

A polícia investiga se essa dinâmica fazia parte de um esquema de fraude envolvendo os sorteios virtuais.

Operação chegou a Itapoá

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a apurar também a possível participação de outras pessoas.

Familiares do principal suspeito, um ex-prestador de serviços e organizadores de rifas aparecem entre os alvos das diligências. A suspeita policial é de que parte dessas pessoas possa ter contribuído para viabilizar as fraudes e para a lavagem dos valores investigados.

Em Santa Catarina, Itapoá e São José aparecem entre as cidades onde foram cumpridos mandados. O material divulgado não detalha quantos mandados foram executados em Itapoá, quem era o alvo no município ou o que eventualmente foi apreendido na cidade.

Também houve buscas em Curitiba, São José dos Pinhais, Araucária e Umuarama, no Paraná; Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul; São Paulo, Cubatão, Mogi das Cruzes, Taboão da Serra e Presidente Venceslau, em São Paulo; Olinda e Recife, em Pernambuco; Nova Serrana, em Minas Gerais; e Brasília.

Polícia busca patrimônio e provas sobre destino dos valores

As buscas tiveram um objetivo que vai além da apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos. Os policiais também procuraram dinheiro em espécie, joias, relógios de luxo, ouro, pedras preciosas e outros bens de alto valor.

A intenção é localizar patrimônio que possa estar relacionado aos recursos investigados e reunir elementos capazes de reconstruir as movimentações financeiras.

O material recolhido deverá passar por perícia e análise técnica.

A investigação apura possíveis crimes de furto mediante fraude, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os nomes dos investigados e da empresa que teria sofrido o prejuízo não foram divulgados.

A operação ainda não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos alvos. Caberá à investigação determinar a participação de cada pessoa e esclarecer, entre outros pontos, para onde foram os cerca de R$ 7 milhões e qual era o papel das rifas virtuais na movimentação do dinheiro.

Fonte: Polícia Civil do Paraná (PCPR).