Ex-sargento que atuava na Rotam de Guaratuba é acusado de antecipar operações, movimentações policiais e mandados de prisão. Segundo a denúncia, informações teriam sido negociadas por R$ 50 mil mensais.
Enquanto equipes policiais atuavam contra o tráfico de drogas no Litoral do Paraná, informações sobre essa movimentação teriam chegado antecipadamente a um dos criminosos investigados na região.

É o que sustenta uma denúncia do Ministério Público que agora tramita na Justiça Militar do Paraná. No centro da investigação está um ex-sargento da Polícia Militar que, na época dos fatos, integrava a Rotam de Guaratuba.
A suspeita é de que a posição ocupada pelo policial tenha permitido acesso a informações de interesse direto do tráfico. Conforme a acusação, dados sobre operações, deslocamentos das equipes de segurança, prisões de traficantes e mandados de prisão teriam sido repassados a um homem apontado como um dos principais responsáveis pelo comércio de drogas nas praias do Paraná.
Os episódios investigados teriam ocorrido entre abril e agosto de 2022.
R$ 50 mil por mês em troca de informações
A investigação aponta que não se trataria de um repasse isolado.
Segundo o Ministério Público, o traficante teria oferecido ao então policial R$ 50 mil mensais para receber informações capazes de favorecer suas atividades criminosas.
Conversas mantidas por aplicativo teriam permitido aos investigadores identificar a comunicação entre os dois. O conteúdo, segundo a acusação, revelou o interesse do traficante em acompanhar operações policiais que pudessem atingir o esquema de drogas.
A denúncia sustenta ainda que, em agosto de 2022, o sargento teria aceitado receber uma motocicleta avaliada em aproximadamente R$ 57 mil como vantagem indevida.
Relação teria ido além do vazamento de informações
A acusação apresentada à Justiça avança sobre outro ponto. Para o Ministério Público, a relação entre o policial e o traficante teria características de uma atuação conjunta e estável voltada ao tráfico de drogas.
Por isso, o ex-PM responde pela suposta prática de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva.
O homem que teria recebido as informações policiais já havia sido investigado por crimes como furto, organização criminosa relacionada ao tráfico e lavagem de dinheiro. Ele foi preso em outubro de 2022 e, segundo as informações divulgadas, permanece em prisão preventiva.
A denúncia contra o ex-policial foi apresentada pelo Núcleo Regional de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Caso agora será analisado pela Justiça
Com o recebimento da denúncia, o ex-sargento tornou-se réu na Justiça Militar. A abertura do processo, contudo, não significa que ele tenha sido condenado.
A partir de agora, as acusações apresentadas pelo Ministério Público serão submetidas ao processo judicial, no qual a defesa poderá contestar os elementos reunidos durante a investigação.
O caso coloca sob apuração justamente uma das informações mais sensíveis para qualquer operação contra o crime organizado: quem sabia previamente onde e quando a polícia pretendia agir.
A Justiça deverá decidir, ao longo do processo, se os elementos reunidos pelo Ministério Público comprovam que essas informações realmente saíram de dentro da corporação e foram utilizadas para beneficiar o tráfico no Litoral do Paraná.
